Já reparou que em muitas vezes que temos conversas com pessoas (ao vivo), várias das coisas que são faladas no diálogo, a princípio, são irrelevantes? Por exemplo, você encontra alguém que você não vê há bastante tempo, essa pessoa está usando uma chuteira e roupa de futebol, você nota isso como algo diferente e, quase que inevitavelmente, sente vontade de falar sobre isso. Você lembra que a namorada dele que você conheceu, e até se simpatizou, odiava que ele saísse para jogar com os amigos. Então, em vez de perguntar se ele terminou com a namorada (por pensar que pode ser uma pergunta meio inconveniente), você manda um "E aí, vai jogar bola?" com um certo ar de surpresa, que funciona como dica de que não é apenas uma pergunta retórica. Poderíamos considerar como uma pergunta bem descartável, mas isso se o objetivo da pergunta fosse apenas saber o que de fato foi perguntado.
Ao fazer essa pergunta, você dá a chance de que ele responda apenas "sim" e o assunto morrer, mas esse risco parece valer a pena comparado ao risco de você perguntar sobre a namorada que ele gostava muito e isso gerar um certo desconforto no momento que você quer evitar, ainda mais porque a resposta sendo apenas um sim, você provavelmente poderá notar pela expressão corporal/tom de voz se ele terminou com a namorada, e até como ele se sente em relação a isso. Esse tipo de análise do que foi sendo dito se aplica a todo o desenrolar da conversa que pode acontecer dali em diante, e simples respostas monossilábicas podem resumir dezenas ou até centenas de palavras.
Tivemos aqui um exemplo bem específico e simplório, mas imagine como isso acontece em basicamente todos os diálogos e com um nível maior de profundidade, desde conversas sobre a vida até negociações importantes. Às vezes, o "bobo" está apenas extraindo informações suas que o interessam, sem que você nem perceba.
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