Vou explicar aqui alguns dos motivos para eu não achar muito produtivo corrigir os erros de português dos outros.
Começando com possíveis motivações que levam a fazer isso:
(1) Pensar que está ajudando a pessoa a ser alguém que se comunica melhor;
(2) Desqualificar os argumentos dados por alguém para tentar se dar bem numa discussão;
(3) Mostrar que é alguém que leu e que sabe a forma correta;
Sobre o (1): Já parou para reparar que várias pessoas dizem o que você
deve ou não fazer? Já reparou que, no fim das contas, por mais que
alguém te tenha dado alguma boa ideia, é a você que cabe decidir o que
fazer? Na minha opinião isso acontece também em pequenas escalas, e
também acontece com os erros de ortografia. Se uma pessoa não se importa
o bastante e escreve errado, não vai ser exatamente por que você está
corrigindo que vai fazer com que ela passe a se importar mais com isso.
Além de não mudar muito nesse sentido quem essa pessoa é, você pode
ficar como a pessoa chata, da mesma forma que você considera aquela que
fica te dizendo o que você deve ou não fazer.
Sobre o (2): O
mundo não é só feito do que está escrito, e, não é porque está escrito
que é está certo. Inclusive, a leitura traz informações referentes a
situações onde não havia escrita envolvida. Ou seja, pessoas que não
dominam a escrita podem ter tanto ou mais a acrescentar do que alguém
com fixação por leitura, em diversos aspectos como vivência e
observação. Até onde se sabe, Einstein não tirou a teoria da
relatividade de algum livro... E se ele não escrevesse perfeitamente?
Não me parece uma hipótese muito absurda, afinal aparentemente ele
considerava a física mais importante do que estudar alemão ou inglês.
Lembrando que além do erro poder não significar muito, interromper uma
conversa para corrigi-lo pode demonstrar uma insegurança em relação a
debater as ideias em si, e consequentemente, querer dizer que você não
tem argumentos o suficiente e resolveu apelar para esse recurso, como se
fosse uma muleta intelectual.
Sobre o (3): Corrigir os outros
espontaneamente faz parecer que você precisa tentar parecer superior a
outra pessoa de alguma forma, mostrando que você sabe o certo e, com
isso, tentando fazer parecer que você é melhor do que ela. No fim das
contas, isso pode ser interpretado como você reconhecendo que aquela
pessoa de certa forma incomoda seu ego, e você faz correções como uma
forma desesperada de tentar parecer estar à altura, ou aparecer para
outras pessoas como tendo mais valor. No fim das contas o tiro pode
acabar saindo pela culatra.
Há quem escreva de forma tão
errada que chega a comprometer a compreensão, mas uma coisa é você dizer
que não entendeu e demonstrar querer entender, outra é simplesmente
desqualificar a pessoa por isso. Claro que você não tem a obrigação de
ter interesse no que ela tem a dizer, mas isso também não te obriga a
fazer essa intervenção.
Quanto mais se vive, mais se tende a
aprender. A medida que o tempo vai passando, as pessoas tendem a
perceber o quanto mais elas tem a aprender com o mundo e com outras
pessoas, e essa questão específica tende a deixar de ser tão importante.
Essa minha reflexão é vendo a questão de uma forma mais geral mesmo.
Claro que às vezes você tem amigos que até mesmo brincam de corrigir uns
aos outros, levam numa boa e tudo mais. Cada caso é um caso. De
qualquer forma, achei que poderia ser interessante fazer essas
colocações, porque se eu tivesse tido um texto desses para ter lido
quando eu era mais novo, provavelmente eu teria feito bom proveito.
Um Grande Sábio da Humanidade
quinta-feira, 10 de abril de 2014
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Profundidade de diálogos
Já reparou que em muitas vezes que temos conversas com pessoas (ao vivo), várias das coisas que são faladas no diálogo, a princípio, são irrelevantes? Por exemplo, você encontra alguém que você não vê há bastante tempo, essa pessoa está usando uma chuteira e roupa de futebol, você nota isso como algo diferente e, quase que inevitavelmente, sente vontade de falar sobre isso. Você lembra que a namorada dele que você conheceu, e até se simpatizou, odiava que ele saísse para jogar com os amigos. Então, em vez de perguntar se ele terminou com a namorada (por pensar que pode ser uma pergunta meio inconveniente), você manda um "E aí, vai jogar bola?" com um certo ar de surpresa, que funciona como dica de que não é apenas uma pergunta retórica. Poderíamos considerar como uma pergunta bem descartável, mas isso se o objetivo da pergunta fosse apenas saber o que de fato foi perguntado.
Ao fazer essa pergunta, você dá a chance de que ele responda apenas "sim" e o assunto morrer, mas esse risco parece valer a pena comparado ao risco de você perguntar sobre a namorada que ele gostava muito e isso gerar um certo desconforto no momento que você quer evitar, ainda mais porque a resposta sendo apenas um sim, você provavelmente poderá notar pela expressão corporal/tom de voz se ele terminou com a namorada, e até como ele se sente em relação a isso. Esse tipo de análise do que foi sendo dito se aplica a todo o desenrolar da conversa que pode acontecer dali em diante, e simples respostas monossilábicas podem resumir dezenas ou até centenas de palavras.
Tivemos aqui um exemplo bem específico e simplório, mas imagine como isso acontece em basicamente todos os diálogos e com um nível maior de profundidade, desde conversas sobre a vida até negociações importantes. Às vezes, o "bobo" está apenas extraindo informações suas que o interessam, sem que você nem perceba.
Ao fazer essa pergunta, você dá a chance de que ele responda apenas "sim" e o assunto morrer, mas esse risco parece valer a pena comparado ao risco de você perguntar sobre a namorada que ele gostava muito e isso gerar um certo desconforto no momento que você quer evitar, ainda mais porque a resposta sendo apenas um sim, você provavelmente poderá notar pela expressão corporal/tom de voz se ele terminou com a namorada, e até como ele se sente em relação a isso. Esse tipo de análise do que foi sendo dito se aplica a todo o desenrolar da conversa que pode acontecer dali em diante, e simples respostas monossilábicas podem resumir dezenas ou até centenas de palavras.
Tivemos aqui um exemplo bem específico e simplório, mas imagine como isso acontece em basicamente todos os diálogos e com um nível maior de profundidade, desde conversas sobre a vida até negociações importantes. Às vezes, o "bobo" está apenas extraindo informações suas que o interessam, sem que você nem perceba.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Pessoas de palavra
Quando você combina algo com alguém: "Ei João, até quarta-feira eu te entrego a câmera que você me emprestou", você está assumindo um compromisso com o João. Você prometeu. Significa que o mundo pode entrar em um colapso apocalíptico, mas até quarta-feira você vai entregar, de um jeito ou de outro.
Algumas pessoas são campeãs na arte de dar desculpa: "pois é, eu disse que entregaria na quarta, mas sabe, minha tia precisou de mim nesses últimos dias e...". Se você faz isso e fica contente porque conseguiu se dar bem com apenas uma historinha, saiba que você saiu muito mais no negativo do que parece.
Não interessa o quão catastrófica, verdadeira e convincente seja a sua história, você perdeu credibilidade por não ter cumprido sua promessa. Não se engane em achar que está tudo bem porque o João deu um sorrisinho e disse que não tem problema. Futuramente, ele não só terá mais dificuldade em te emprestar essa câmera por não poder contar que ela estará de volta quando ele precisar, como também ele tende a levar menos a sério qualquer compromisso que você venha querer firmar com ele. Ou seja, ele pode já não contar com sua presença em algum lugar mesmo com sua confirmação, já não confiar o bastante na sua palavra te indicar para a vaga de alguma oportunidade, já não falar bem de você para outras pessoas e por aí vai...
Claro que estamos sujeitos a errar vez ou outra, mas cabe a você ver se esse tipo de situação é regra ou exceção em sua vida. Se você acredita que pode acontecer algo que vai te impedir de cumprir uma promessa, simplesmente não prometa.
Algumas pessoas são campeãs na arte de dar desculpa: "pois é, eu disse que entregaria na quarta, mas sabe, minha tia precisou de mim nesses últimos dias e...". Se você faz isso e fica contente porque conseguiu se dar bem com apenas uma historinha, saiba que você saiu muito mais no negativo do que parece.
Não interessa o quão catastrófica, verdadeira e convincente seja a sua história, você perdeu credibilidade por não ter cumprido sua promessa. Não se engane em achar que está tudo bem porque o João deu um sorrisinho e disse que não tem problema. Futuramente, ele não só terá mais dificuldade em te emprestar essa câmera por não poder contar que ela estará de volta quando ele precisar, como também ele tende a levar menos a sério qualquer compromisso que você venha querer firmar com ele. Ou seja, ele pode já não contar com sua presença em algum lugar mesmo com sua confirmação, já não confiar o bastante na sua palavra te indicar para a vaga de alguma oportunidade, já não falar bem de você para outras pessoas e por aí vai...
Claro que estamos sujeitos a errar vez ou outra, mas cabe a você ver se esse tipo de situação é regra ou exceção em sua vida. Se você acredita que pode acontecer algo que vai te impedir de cumprir uma promessa, simplesmente não prometa.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
"Se conselho fosse bom ninguém dava, vendia."
Como pode esse ditado estar certo? Não é possível que uma pessoa com 30 anos a mais de vivência que eu não possa me dar um bom conselho sobre algum assunto em específico, pois muito provavelmente ela inclusive já passou pela mesma situação e sentiu na pele o que foi fazer uma escolha "errada".
Na verdade, dependendo do ponto de vista, essa escolha não foi errada, pois podemos vê-la simplesmente como um pedaço do caminho que precisou ser percorrido para a atual plenitude de sua consciência. Uma escolha que dê em resultados não esperados (sejam eles bons ou ruins) contribuirá para que as próximas tomadas de decisão sejam mais precisas, pois haverá mais informações relacionadas ao que já foi vivido para serem colocadas na balança com o que você tem de prioridade nesse momento, bem como analisar se vale a pena os correr os possíveis riscos avistados.
Agora podemos inverter a pergunta do início: como pode alguma outra pessoa, por mais vivida que seja, saber melhor do que você sobre as suas prioridades, os riscos que você se dispõe a correr e sua experiência de vida?
Claro que é válido conversar com outras pessoas e pedir conselhos, pois elas terão uma outra visão da sua situação e isso pode te ajudar escolher um bom caminho por te abrir novos horizontes de pensamento, mas não siga o que te aconselharem simplesmente por acreditar e confiar na pessoa, muito menos se iluda achando que outra pessoa pode resolver um problema que é seu.
Na verdade, dependendo do ponto de vista, essa escolha não foi errada, pois podemos vê-la simplesmente como um pedaço do caminho que precisou ser percorrido para a atual plenitude de sua consciência. Uma escolha que dê em resultados não esperados (sejam eles bons ou ruins) contribuirá para que as próximas tomadas de decisão sejam mais precisas, pois haverá mais informações relacionadas ao que já foi vivido para serem colocadas na balança com o que você tem de prioridade nesse momento, bem como analisar se vale a pena os correr os possíveis riscos avistados.
Agora podemos inverter a pergunta do início: como pode alguma outra pessoa, por mais vivida que seja, saber melhor do que você sobre as suas prioridades, os riscos que você se dispõe a correr e sua experiência de vida?
Claro que é válido conversar com outras pessoas e pedir conselhos, pois elas terão uma outra visão da sua situação e isso pode te ajudar escolher um bom caminho por te abrir novos horizontes de pensamento, mas não siga o que te aconselharem simplesmente por acreditar e confiar na pessoa, muito menos se iluda achando que outra pessoa pode resolver um problema que é seu.
Para começo de conversa...
Bom, primeiramente quero explicar o motivo pelo qual criei este blog.
Sempre tive uma certa sede por entender e saber os porquês do que estava à minha volta. Mais especificamente, costumo passar bastante tempo fazendo reflexões sobre as relações entre as pessoas, sobre os motivos que as levam a tais atitudes ou formas de pensar. Nesse vício por refletir, cheguei ao ponto de pensar até sobre meus próprios pensamentos, criando uma recursividade de ideias que acredito ser interessante colocá-las para fora de alguma forma.
Aqui, quero compartilhar pensamentos que às vezes chegam a ser muito profundos para serem colocados em pauta em um encontro com amigos, e que me interessa saber outras opiniões acerca do assunto, tanto para saber se concordam ou não, quanto para que eu tenha noção de quão óbvio essas ideias são para cada pessoa.
Vou terminar esse primeiro post por aqui porque a melhor forma de entender sobre o que o blog se trata é lendo os próximos. Até breve.
Sempre tive uma certa sede por entender e saber os porquês do que estava à minha volta. Mais especificamente, costumo passar bastante tempo fazendo reflexões sobre as relações entre as pessoas, sobre os motivos que as levam a tais atitudes ou formas de pensar. Nesse vício por refletir, cheguei ao ponto de pensar até sobre meus próprios pensamentos, criando uma recursividade de ideias que acredito ser interessante colocá-las para fora de alguma forma.
Aqui, quero compartilhar pensamentos que às vezes chegam a ser muito profundos para serem colocados em pauta em um encontro com amigos, e que me interessa saber outras opiniões acerca do assunto, tanto para saber se concordam ou não, quanto para que eu tenha noção de quão óbvio essas ideias são para cada pessoa.
Vou terminar esse primeiro post por aqui porque a melhor forma de entender sobre o que o blog se trata é lendo os próximos. Até breve.
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