quinta-feira, 10 de abril de 2014

Corrigir erros de Português

Vou explicar aqui alguns dos motivos para eu não achar muito produtivo corrigir os erros de português dos outros.

Começando com possíveis motivações que levam a fazer isso:

(1) Pensar que está ajudando a pessoa a ser alguém que se comunica melhor;
(2) Desqualificar os argumentos dados por alguém para tentar se dar bem numa discussão;
(3) Mostrar que é alguém que leu e que sabe a forma correta;

Sobre o (1): Já parou para reparar que várias pessoas dizem o que você deve ou não fazer? Já reparou que, no fim das contas, por mais que alguém te tenha dado alguma boa ideia, é a você que cabe decidir o que fazer? Na minha opinião isso acontece também em pequenas escalas, e também acontece com os erros de ortografia. Se uma pessoa não se importa o bastante e escreve errado, não vai ser exatamente por que você está corrigindo que vai fazer com que ela passe a se importar mais com isso. Além de não mudar muito nesse sentido quem essa pessoa é, você pode ficar como a pessoa chata, da mesma forma que você considera aquela que fica te dizendo o que você deve ou não fazer.

Sobre o (2): O mundo não é só feito do que está escrito, e, não é porque está escrito que é está certo. Inclusive, a leitura traz informações referentes a situações onde não havia escrita envolvida. Ou seja, pessoas que não dominam a escrita podem ter tanto ou mais a acrescentar do que alguém com fixação por leitura, em diversos aspectos como vivência e observação. Até onde se sabe, Einstein não tirou a teoria da relatividade de algum livro... E se ele não escrevesse perfeitamente? Não me parece uma hipótese muito absurda, afinal aparentemente ele considerava a física mais importante do que estudar alemão ou inglês. Lembrando que além do erro poder não significar muito, interromper uma conversa para corrigi-lo pode demonstrar uma insegurança em relação a debater as ideias em si, e consequentemente, querer dizer que você não tem argumentos o suficiente e resolveu apelar para esse recurso, como se fosse uma muleta intelectual.

Sobre o (3): Corrigir os outros espontaneamente faz parecer que você precisa tentar parecer superior a outra pessoa de alguma forma, mostrando que você sabe o certo e, com isso, tentando fazer parecer que você é melhor do que ela. No fim das contas, isso pode ser interpretado como você reconhecendo que aquela pessoa de certa forma incomoda seu ego, e você faz correções como uma forma desesperada de tentar parecer estar à altura, ou aparecer para outras pessoas como tendo mais valor. No fim das contas o tiro pode acabar saindo pela culatra.

Há quem escreva de forma tão errada que chega a comprometer a compreensão, mas uma coisa é você dizer que não entendeu e demonstrar querer entender, outra é simplesmente desqualificar a pessoa por isso. Claro que você não tem a obrigação de ter interesse no que ela tem a dizer, mas isso também não te obriga a fazer essa intervenção.

Quanto mais se vive, mais se tende a aprender. A medida que o tempo vai passando, as pessoas tendem a perceber o quanto mais elas tem a aprender com o mundo e com outras pessoas, e essa questão específica tende a deixar de ser tão importante.

Essa minha reflexão é vendo a questão de uma forma mais geral mesmo. Claro que às vezes você tem amigos que até mesmo brincam de corrigir uns aos outros, levam numa boa e tudo mais. Cada caso é um caso. De qualquer forma, achei que poderia ser interessante fazer essas colocações, porque se eu tivesse tido um texto desses para ter lido quando eu era mais novo, provavelmente eu teria feito bom proveito.